segunda-feira, agosto 15, 2011

cold night

Era noite fria e escura. A lua estava quarto minguante e pouca luz iluminava as ruas desertas e cobertas de geada. Estava sentada na poltrona do meu quarto, rodeada de pensamentos e recordações. Com o caderno de rascunhos aberto em cima das pernas e, com a caneta na mão direita, escrevia:

«São 4 horas, talvez seja hora de ir dormir mas acho muito mais interessante falar contigo – mesmo que seja através de cartas. As lágrimas ficaram tão pesadas que se torna difícil segura-las e mantê-las guardadas nos olhos inundados e cansados. Então, eu tento que a tristeza escorra juntamente com elas. Os meus dedos tremem e posso dizer que, se agora não estivesse sentada, o meu corpo já tinha tombado no chão do quarto. É triste quando não se tem poder sobre nós próprios e quando não se consegue impedir certas e determinadas coisas - como amar. Seria demasiado cliché falar-te da falta que me fazes sentir? Eu sei que já o fiz muitas vezes - demasiadas - e que na tua gaveta já não cabe nem mais um bilhete meu. Mas eu preciso de te escrever. É estranho. O tempo vai passando, as pessoas vão mudando, as flores vão crescendo mas e eu? O que muda em mim? Talvez o corte de cabelo ou as roupas que me cobrem o corpo. E o resto? E, com o resto, quero dizer o coração. O que mudou nele? Desde aquele dia que ele carrega apenas tristeza e que só deixa lá morar a solidão e a saudade.»

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