domingo, fevereiro 05, 2012

- Sim, é mesmo amor.
- Já o tentáste definir?
- Tu és louco.
- Não perdes nada.
- Banalidades, só banalidades. Recordo-me de quando o amor tinha o nome de sexo. Não penses que vou afastar a palavra. Dizias que era da época. Que a sociedade vivia endoidecida pelo fatalismo. Ainda vive. Um dia verás como eu tenho razão.

Daquela vez ficou em silêncio. A olhar para o corpo. Só momentos depois frisou o olhar no espelho.
- Gosto da tua maneira de falar.
- Embrulhei-te em palavras.
As horas passavam demasiado depressa. A comida queimou-se; a música soava excessivamente alta; a encenação de conversas sobre sociedades históricas eram verídicas. "Há coisas que não se dizem. São reconfortadas por gestos curtos." O sexo nunca te foi dado dessa maneira. Voltei a ter razão, admite. Baixou a cabeça num promiscuo processo de entendimento. Fiz o mesmo. Que estaria eu a dizer?
Perdi-me pela sala por instantes. "Ou as tu mon amour?" Tocou-me levemente no ombro.
- Estás apaixonada por ele, não é?
- Eu sei.

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