Situavam-se em frente ao rio Sena. Os corpos mergulhavam na eterna essência da cidade. "Cidade do Amor", dizias. Ínfimas ilustrações de luzes dos candeeiros sobrepostos pelas margens do rio. Mais um dia na vida de um parisiense. A alegoria juvenil de um "croissant" e "croque-monsieur" pela manhã. Nada de novo em uns 60 milhões de habitantes.
Ambos vestiam-se de preto contrastando com a breve figura pintada de fresco na esquina seguinte. Ela usava uma boina vermelha mostrando-se uma pintora nas horas vagas. O resquício de gestos humildes quando pegava no pincel.. Algo encantador. "Assim como ela." O outro, era um jovem de 16 anos apaixonado por Paris. Encobria as mãos nos bolsos, afagando os dedos cansados do toque inocente ao piano. Tal como ela, tinha saudades de música.
- Um dia toco piano para ti.
- Sim? Ensinas-me?
- Claro, Sophia.
Amava-a. Sempre o soube. "Sophia". Não era o único no seio da amizade.
Conheciam-se mutuamente, tão bem como ao próprio corpo. O quadro voluntário de uma reprocividade constante. Despedia-se do mundo quando se encontrava com ela. Sentia-se realmente feliz.
- Sabes, um dia mudo-me para cá.
- Sozinha?
- Vens comigo?
- Para onde quer que for, minha pequena Sophia.
Não era preciso dizer mais.
A "boulangerie" enchia aos olhos que o vento tocava o cabelo dela. De um tom de mel acastanhado pelo tempo. Começava a ficar frio. Num instante tomou-a nos braços, ajeitando sinceramente o cabelo encaracolado.
- Merci Sophia, suprimes-me a saudade.

que lindo :)
ResponderEliminaré tão bom quando conhecemos alguém no seu todo.
ResponderEliminaristo está lindo!
Mesmo muito(;
ResponderEliminarEstá mesmo perfeito este texto.