domingo, maio 06, 2012

A rua era nossa. Minha e tua. O relógio de pulso estava mais adiantado do que o do telemóvel. Aliás, bastante adiantado. Não estava muito frio mas continuava com as camisolas de lã. Tinham-se tornado demasiado confortáveis desde que o teu nome fora dito mas não lá estavas. Acabámos por nos perder. Decidi não ficar nem longe nem perto de ti. Uma breve distância vagarosa era o suficiente.
O telemóvel tocava de vinte em vinte minutos. Dizias que era para não me esquecer de ti. Da tua pequena distância de menos de três metros.
Eram quatro e tal com as horas adiantadas. Começava a ficar demasiado silêncio. E o aparelho deixara de tocar às horas regulares. Quando abandonada a distância, reparei que tinhas olhos verdes. "Perdoa-me por nunca ter reparado. Julgava-os castanhos." A modesta separação trocara-me os sentidos. Também me tinha esquecido de almoçar.
Decidi voltar para casa. Contigo, ainda que não devesse. A rua estreita encaixilhava as lojas de fast food e outros pertences desnecessários com que me havia habituado a não viver. Da tua prespetiva apenas era necessário um cão, liberdade e música. Habituei-me a isso por causa de ti. E também aos olhares enquanto voltávamos para casa. "Aos teus olhares". O cão puxava a trela e a música pesada do Ipod não pesava tanto quanto o coração. Doía-me a cabeça. Doía-me o coração.

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common reality.