domingo, dezembro 30, 2012

Nem sei bem.

As palavras escasseiam. O tempo perlonga-se pelas páginas do livro entreabertas à luz que atravessa a janela do quarto. Não há nada mais para além disso. Apenas o silêncio. Apenas o cheiro solitário e desfragmentado de um sentimento controverso que assume a sua posição neste lugar. Neste ritmo abundante de memórias e escárnio que se complementam mutuamente. *Fica. Abraça-me. Elabora-me nesse teu gesto ingénuo e dispendioso. Nesse teu corpo gasto mas impetuoso. *Leva-me. Mantem-me.  As linhas não se sobrepõem às palavras encadeadas pela claridade. Nem criam esta imensurável longevidade que se prolonga nos traços mais serenos. Mais delicados. O tempo só se refugia nos espaços entre os dedos até que estes desapareçam.

 

2 comentários:

common reality.