A indústria dos negócios perdeu-se no tempo em que se conheciam. Jim fora pedir outra bebida ao passo que Stephanie reorganizava a papelada amontoada dentro da mala. Tinha um certo gosto pela organização, de facto. Para Jim, isso tornava-a extremamente aprazível.
- No final de contas ainda nem sei a tua idade. Sendo uma estagiária calculo que sejas nova. Assim o aparentas.
- Todas as pessoas que acabam por saber que idade tenho julgam-me sempre mais nova do que sou. Tenho vinte e oito anos. E tu?
- Tenho trinta e um, continuo à espera que cheguem os cabelos brancos que ainda não se decidiram em aparecer. - sorriu. Faltava espírito de humor no seu longo almoço. Não que Stephanie não o tivesse mas designava-se mais contida em certos momentos. O seu sorriso aprofundava o entreter da conversa.
Lembrara-se de que quando era novo, frequentava o bar com os amigos para engatar raparigas até se casar. Depois desistira. Formara-se e entrara na vida dos trinta, algo lastimável. Não que fosse velho mas já não se achava propriamente na idade de "encontros para casais". Vindo do seu irmão adivinhara exatamente que era para isso que a tinha chamado. Para o livrar da solidão.
- Acho que devíamos ir andando. Ainda tenho uns quantos papéis para preencher hoje. - contou Steph ajeitando a camisola que se enrolara dentro das calças.
- Levo-te a casa, se não te importares. É o mínimo que posso fazer.
- Eu apanho um táxi, não te incomodes.
- Não é incómodo nenhum. É um prazer dar-te boleia - sorriu.
Puxou-lhe a cadeira como se de um cavalheiro se tratasse. O pagamento ficara por conta de Jim. Gostava de se prestar atencioso com as mulheres. Quando Stephanie se levantou, vestindo o casaco, não conseguira deixar de reparar o quão magra era, com o seu aspeto pequeno e jovial.
A saída do bar tornou-se difícil, os pares casamenteiros entravam regularmente às horas a que Jim começava sair. Nem mesmo o longo almoço o afastou da longitude que ali se aproximava. "Que belo tratamento de negócios", pensou. O passeio foi curto. Mantinham-se a questionar conversas sobre África sempre iniciadas por ela. Era demasiado ligada ao trabalho. Nunca se afastava para fins mais íntimos sobre a sua vida. Um pouco estranho para alguém tão jovem. Para alguém com uma vida pela frente.
- És muito empregada no trabalho, já reparei.
Stephanie parou por um momento.
- Sim.
Não obteve mais fala durante o caminho. Soubera que possivelmente tocara num assunto prodígio. O quarteirão da casa da mulher constava o número 5, porta direita. Deixara-a lá.
- Vemo-nos outro dia?
- Sim, acho que podemos ir almoçar um dia desses.
Despediram-se com um aperto de mão e Stephanie entrou. O costume de no fim regressar a casa sozinho, constrangia-o. Ainda que à dois anos já te tivesse habituado a isso. Só nesses premiscuos momentos entendia o porquê de o irmão lhe querer arranjar alguém para o livrar do sofrimento.
